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BRASIL, Nordeste, VALENCA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Bebidas e vinhos, Sexo, Livros
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Eu?

Um ébrio, sequioso por vinho, poesia
e virtude.

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Citações de Capa:

Lewis Carroll;
Charles Baudelaire.



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Florbela Espanca


EU

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!

Sou aquela que passa e ninguém vê ...
Sou a que chamam triste sem o ser ...
Sou a que chora sem saber porquê ...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

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Depois de ter você...
Pra que querer saber
Que horas são
Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que, que é serve uma canção
Como essa...

Depois de ter você
Poetas para que
Os deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas
Para que servem as ruas?
Depois de ter você...

Adriana Calcanhotto.

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As imagens contidas neste blog foram retiradas do google images



Meu post sobre o Natal

Recoste-se na cadeira, relaxe e aproveite com intensidade esse momento feliz - diz a voz no sistema de som. Música? Sarah Brightman – Figlio Perduto, uma de minhas preferidas. Luz? Apagada, o tom azul do monitor é o que tenho de norte visual. Acompanhamento? Sim, um vinho de textura, odor e sabor razoáveis, ousadias que o décimo terceiro salário nos permite.

 

Trabalhar? Um pouco, para descontrair.

 

O presépio de minha mãe.

 

Há cerca de dois anos – a música agora é Hijo de la Luna, gosto muito dessa também. Mas sim, há uns dois anos minha mãe comprou um presépio que estava sendo vendido a hum real a peça nessas lojas de importados.

De lá prá cá ela o monta com esmero, apesar da cena caber numa caixa de sapatos. Chego apressado e quase não o noto, e antes assim o fosse por todo o tempo, pois não estaria aqui a escrever um texto tão pouco enriquecedor. Mas, infelizmente para quem quer que seja, o fato é que houve o fato: eu vi.

 

Trata-se de um presépio posmo, como diria o Franco - esse do link aí do lado. A penúria material das personagens apresentada na demonstração comprada por minha mãe é de tal modo intensa, que acaba por interferir na própria interpretação do momento. Os três reis magos, os que levam as muambas ao Senhor, apresentam barbas pintadas a tão grosso modo, que lembram mais a lenços usados pelos clássicos bandidos do faroeste americano.

Logicamente, uma pessoa normal como eu não teria uma interpretação dessas, caso não fosse vítima dessa nossa contemporaneidade. De uns tempos para cá, meu sensor sacripantagem se tornou aguçado.

Tenho certeza absoluta que no presépio de minha mãe aqueles reis são na verdade uma quadrilha de seqüestradores, prontos a subtrair daquela manjedoura o menino rico em graças senhoriais. Minha mãe não gostou de minhas conclusões... falou até que deveria ter me forçado a comparecer mais vezes nas escolas dominicais. Graças a Deus ela não fez isso.

 

Cansei de trabalhar. O texto ficou ótimo!

 

Para concluir, já que estamos no natal, vou exercer um pouco de responsabilidade social.

Ganhei da Polícia Militar da Bahia uma cartilha na qual somos instruídos sobre a forma correta de agir quando formos assaltados nesse fim de ano. É muito instrutiva. Estou disposto a doá-la para quem se interessar. Dicas importantes, que ressaltam a necessidade de sermos educados no falar com os “inimigos”, não olharmos em seus rostos, cedermos a tudo que exigirem e os desejarmos Feliz Natal na despedida. Adorei.

 

Concordo com todos os pontos, foi assim que me comportei quando aconteceu comigo, e graças a isso hoje estou aqui, de relógio novo, celular novo e uma graninha extra na carteira reservada unicamente para esse fim. O “do ladrão”.

 

Como as vezes me sinto angustiado nesse mundo em que vivo. Oh, quão belo ultraje! 



- Postado por: Du às 00h08
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O arranjo sobre a mesa exalava no ar uma fragância de morte.

***

Sinto saudades de um passado que não vivi.

 

Obs: Por enquanto é só. Desconheço a razão, mas não sossegaria enquanto não viesse aqui escrever estas frases.



- Postado por: Du às 22h33
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...

 

Ele fechava os olhos, aumentava o som ao máximo. Mozart, Piano Concerto N. 20. Tentava decolar dali, abandonar aquele corpo arraigado àquela atmosfera parca, na qual pessoas incrivelmente baixas intermitentemente jogavam por sobre ele seus véus de pobreza espiritual.

Tentava inutilmente subir amarrado às escalas, fazer parte, se misturar ao som, e com ele se espalhar ao universo, levando desvairadamente aos cantos inalcançáveis a matemática da vida.

Porém, sempre que ousava abrir os olhos, na esperança de encontrar diante de si ao menos a paz amiga de qualquer solidão, via-se lugubremente imerso naquele mundo danoso, o qual o fazia sentir-se como a parasita que infecta o corpo são.

Por um instante chegou a pensar na real possibilidade de ser ele o monstro, mas tal pensamento era quase que instantaneamente bombardeado por tantos outros, entre os quais até aquele em que ele seria o novo messias, encarregado de ir aos porcos levar-lhes a pureza da alma.

E, num instante, a música acabava e todo seu ser se via vulneravelmente exposto às toneladas de realidade. Tinha de erguer-se e enfrentar novamente as mazelas de sua vida. Uma vez a cada dia, detinha a oportunidade de esquecer ao menos em parte sua atmosfera existencial tão soturna, apenas uma única vez, durava meros minutos.

 

Muito depois ele compreendeu. Aqueles eram seus momentos de felicidade.



- Postado por: Du às 19h57
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Sonhei e acordei desejando...

Não quero mais estar cercado por laranjas murchas, contaminadas pelas amarguras do tempo e solos inférteis. Não! Quero estar na árvore dos bons frutos, e se algum tiver de ser o podre, que seja eu, de preferência inconsciente do meu torpor e do fétido odor de minhas asneiras.



- Postado por: Du às 09h08
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Palavras de Arnaldo Jabor para concluir o post anterior

"Mas falo, falo e não digo o essencial. Hoje, a felicidade é entrar num pavilhão de privilegiados. Eu queria não pensar, queria ser um imbecil completo sem angústias — meus inimigos dirão: "Você tem tudo pra isso." Sou uma esponja que se deixa tocar por tudo, desde a crise da dívida pública até o muro da Cisjordânia. Lembro a personagem de Eça de Queiroz que dizia: "Como posso ser feliz se a Polônia sofre?”.

Hoje, a felicidade está na relação direta com a capacidade de não ver, de negar. Felicidade é uma lista de negativas. Não ter câncer, não ler jornal, não olhar os meninos miseráveis no sinal, não ver cadáveres na TV, não ter coração. O mundo está tão sujo e terrível que a felicidade é se transformar num clone de si mesmo, num andróide sem sentimentos, sem esperança, sem futuro, só vivendo um presente longo, como uma rave sem fim."



- Postado por: Du às 15h39
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Quando penso que sou eu o fútil, me vejo ternamente cercado por pessoas que me cospem futilidades. Agravando ou atenuando, ao menos elas não possuem noção disso; a burrice inexorável possui também seu lenitivo, vive-se indiferente, insensível às mazelas existenciais da vida.

Quanto à minha futilidade, acho que me superestimei. Era soberbia demais imaginar que poderia ser o melhor.

Recolherei-me à minha insignificância, ao mero dado estatístico, e continuarei a pensar em nuvens em formato de latinhas de coca-cola ou aparelhos elétricos de barbear.

 

Mas ao menos,

Estou de volta.



- Postado por: Du às 10h00
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