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BRASIL, Nordeste, VALENCA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Bebidas e vinhos, Sexo, Livros
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Eu?

Um ébrio, sequioso por vinho, poesia
e virtude.

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Citações de Capa:

Lewis Carroll;
Charles Baudelaire.



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Florbela Espanca


EU

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!

Sou aquela que passa e ninguém vê ...
Sou a que chamam triste sem o ser ...
Sou a que chora sem saber porquê ...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

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Depois de ter você...
Pra que querer saber
Que horas são
Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que, que é serve uma canção
Como essa...

Depois de ter você
Poetas para que
Os deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas
Para que servem as ruas?
Depois de ter você...

Adriana Calcanhotto.

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As imagens contidas neste blog foram retiradas do google images



Desconexos

 

Não sei por onde começar, mas tenho de dizer, de seguir um conselho de um professor que me alertou sobre o risco de se desenvolver um câncer, haja vista um acúmulo de tantas energias aqui dentro.

Ele me falou que eu também teria de ser chato e ruim, e que as pessoas que realmente gostam de mim saberiam compreender tudo isto. Alertou para o fato de que ninguém gosta de alguém que é perfeito, pois ninguém o é. “Eles vão usufruir, usufruir e sempre estarão por perto para usufruir um pouco mais, e você fará um esforço sobrenatural para acreditar que aquelas são as melhores pessoas do mundo. Mas, no entanto, vai se ver sozinho em meio a todos eles”.

Maldito seja!

A verdade é que tenho andado muito só e tenho me utilizado de sucedâneos a fim de não sentir dor. O inevitável é que o efeito destes “remédios” sempre passa e leva consigo alguma coisa: coragem, habilidade, criatividade, sensibilidade... é o preço que se paga por um instante sem pensar em nada.

Este é sem dúvida o pior momento intelectual da minha vida, quando paira uma sensação de que tudo o que há de bom na face da terra já foi devidamente absolvido e somente resta por fim, o fim.

Tentei fazer algumas promessas na virada do ano, mas achei que seria ridículo ou não tive coragem, algo assim. Antigamente eu desejava algumas coisas, mas as condições não me permitiam. Quis fazer por onde pudesse obtê-las, mas paguei um preço tão alto que agora que possuo meios de conseguir certas façanhas, não sei o que houve, estou me sentindo completamente fora do lugar, e acabo imaginando que bons são os lugares que sequer existem e boas são algumas pessoas que já morreram ou ainda estão por nascer.

Só restou viabilidade em se apostar no inconcebível, justamente pela questão platônica que nele há. Sinto saudades de mim, não sei onde me deixei ficar, em que bar, em

que micro aventura, ou me depositei em algum plano futuro tão distante que morrerei antes de vê-lo realizado. Não sei onde me deixei, mas sinto saudades e me quero de volta. É hora de fazer alguma coisa ou aquela história do câncer pode se tornar realidade.

Venho pagando para apenas ver o tempo passar, mantendo-me ocupado para não ter noção das coisas e sofrer o mínimo com isso, mas chega um ponto em que não consegue mais agüentar.

Algo tem de ser feito. Se realmente o será, estes escritos contarão.



- Postado por: Du às 18h00
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Dos Três Quadros de Virgínia Woolf

O SEGUNDO QUADRO


A meio da noite um grito forte atravessou a aldeia. Depois ouviu-se o som de uma pequena barafunda; e a seguir um silêncio de morte. Tudo o que podia ser visto da janela era o ramo de um lilás dependurado imóvel e ponderoso no meio da estrada. A noite estava quente e inerte. Não havia lua. O grito fez com que tudo parecesse agoirento. Quem tinha gritado? Por que é que ela tinha gritado? Era uma voz de mulher, desencadeada pelo estado-limite de uma sensibilidade quase assexuada, quase inexpressiva. Era como se a natureza humana tivesse gritado contra alguma iniquidade, algum horror inexplicável. Havia um silêncio de morte. As estrelas brilhavam quietinhas. Os campos mantinham-se inertes. As árvores estavam imóveis. No entanto, todos pareciam culpados, condenados, agoirentos. Havia a sensação de que se devia fazer alguma coisa. Alguma luz devia surgir agitada, mexendo-se de um lado para o outro. Alguém devia aparecer correndo pela estrada abaixo. Devia haver luzes nas janelinhas. E então talvez outro grito, menos assexuado, menos mudo; conformado, apaziguado. Mas não veio nenhuma luz. Não se ouviram nenhuns passos. Não houve nenhum segundo grito. O primeiro tinha sido engolido, e estava um silêncio de morte.


Estava-se no escuro com o ouvido de prevenção. Tinha sido simplesmente uma voz. Não havia nada a relacionar com ela. Não veio nenhum tipo de quadro para a interpretar, para a descodificar. Mas quando finalmente o escuro se destapou tudo o que se via era uma forma humana obscura, quase sem contornos, erguendo em vão um braço gigantesco contra uma iniquidade esmagadora.



- Postado por: Du às 16h55
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